Hiperidrose: tópicos essenciais - Tuttoria

Hiperidrose: tópicos essenciais

Dr. Alan Pontes
Cirurgião Torácico pelo Hospital do Coração de Messejana
Cirurgião Geral pelo Hospital Geral César Cals
Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica
Membro do Chest Wall International Group


Pedro era um rapaz de 15 anos bastante introvertido. Desde que se lembra, sofre com suas mãos suando em excesso. Fazer uma prova na escola é um grande problema; tem que sempre ter uma toalha sobre as pernas, mas não raras vezes o papel desmancha ou rasga. Cumprimentar algum amigo ou uma garota? Não, obrigado! Devido a vergonha pelas mãos, acabava se isolando no mundo virtual.

Provavelmente você, leitor, conhece ou já ouviu falar de alguém com essa condição. Felizmente, a hiperidrose tem tratamento. Vamos saber mais!

 

O que é a Hiperidrose?

Caracteriza-se por sudorese excessiva, além da requerida para as necessidades termorreguladoras do organismo.

 

Hiperidrose Primária x Secundária

Podemos ter hiperidrose secundária a alguma condição clínica específica ou medicação, necessitando, portanto, uma investigação mais aprofundada com a devida intervenção médica. Contudo, boa parte das vezes estamos diante de um caso idiopático, no qual não se conhece exatamente o mecanismo que o determina, admitindo-se que haja estimulação do sistema nervoso simpático em nível central nesses pacientes. A hiperidrose primária, usualmente afeta áreas como axila, mãos e pés, podendo atingir também a região craniofacial e inguinal.

 

Impactos no dia a dia.

É normal suar quando se está calor, durante a prática de atividades físicas ou em certas situações específicas, como, momentos de raiva, nervosismo ou medo. Porém, a sudorese excessiva ocorre mesmo sem a presença de qualquer desses fatores.

Quando há transpiração extrema, essa pode ser embaraçosa, desconfortável, indutora de ansiedade e se tornar incapacitante. Pode perturbar todos os aspectos da vida de uma pessoa, desde a escolha da carreira e atividades recreativas até relacionamentos, bem-estar emocional e autoestima, como ocorreu com nosso amigo Pedro.

 

Tratamentos

Existem diversos métodos para o tratamento. A melhor opção para cada paciente deve ser individualizada e decidida em conjunto com o médico assistente.

Depende muito, também, da localização da hiperidrose. Atualmente contamos com alternativas de tratamento tópico (antitranspirantes mais potentes, Botox, Iontoforese) e sistêmicos, sendo a oxibutinina a droga mais conhecida.

O único tratamento definitivo, contudo, é a Simpatectomia Torácica, atualmente feita por videotoracoscopia. O cirurgião torácico realizada 2 (duas) incisões de 1 centímetro no máximo, em cada lado do tórax. Após as incisões é colocada o toracoscópio adaptado a uma microcâmera de alta resolução, sendo o primeiro passo do cirurgião identificar a cadeia simpática torácica com seu tronco principal e todo o seu conjunto de gânglios. Após esse reconhecimento inicial, o cirurgião realizará a secção ou clipagem do nervo e suas ramificações

de acordo com o local ou locais que o paciente apresenta o suor em excesso. Com essa secção do nervo, o corpo interrompe a mensagem enviada e o suor em excesso nas regiões afetadas é cessado.

 

Pós-Operatório

Normalmente o paciente recebe alta no outro dia e os demais que seguem são bem tranquilos.

 

Considerações Finais

No passado, muitos pacientes tiveram suas queixas menosprezadas. Alguns colegas os tratavam como psicossomatização, encaminhando-os para terapia. Sabemos do papel importante no acompanhamento multidisciplinar dos pacientes e ficamos feliz de participar de forma satisfatória desse processo.

Hoje a medicina pode ajudar, com bastante segurança, aqueles que sofrem com a hiperidrose, impactando, sobretudo, na ganho de autoestima e confiança.

 

Referências:

 

  1. Hornberger J, Grimes K, Naumann M, et al. Recognition, diagnosis, and treatment of primary focal hyperhidrosis. J Am Acad Dermatol 2004; 51:274.
  2. Rzany, B., Bechara, F. G., Feise, K., Heckmann, M., Rapprich, S., & Wörle, B. (2018). Update of the S1 guidelines on the definition and treatment of primary hyperhidrosis. JDDG – Journal of the German Society of Dermatology, 16(7), 945–953.
  3. de Rezende, R. A. R. M., & Luz, F. B. (2014). Surgical treatment of axillary hyperhidrosis by suction-curettage of sweat glands. Anais Brasileiros de Dermatologia, 89(6), 940–954.
  4. Cameron, A. E. P. (2016). Selecting the Right Patient for Surgical Treatment of Hyperhidrosis. Thoracic Surgery Clinics, 26(4), 403–406.
  5. Pontes, A. (2018). Hiperidrose – Tratamento definitivo do suor em excesso.
  6. Kuzniec S, Jatene FB, Krasna M. Axillary hyperhidrosis: T3/T4 versus T4 thoracic sympathectomy in a series of 276 cases. J Laparoendosc Adv Surg Tech A. 2006; 16(6):598-603
Nossos Cursos